23 novembro 2012

Medo de tentar


Eu estava ali. Apenas meu corpo, para falar a verdade. Tantas pessoas falavam ao mesmo tempo e, eu não conseguia entender uma só palavra. Todos sempre estão cobrando muitas coisas de mim. Todos sempre estão esperando muito de mim. Mas não param para pensar no que eu realmente quero. No que eu gosto. Só não entendo porque ainda não parei de tentar agradar a todos.

Já parou para classificar a sua dor? Estive pensando nisso ao sair da pista de skate semana passada. Vamos começar com a vergonha. Em uma escala de 0 a 10, daria 6 para a vergonha. Pois a sinto boa parte do tempo. Quando todos olham em sua direção e você tem vontade de enfiar a cabeça dentro do chão. Minhas bochechas ficam vermelhas, minhas pernas bambas e eu gostaria de estar em qualquer outro lugar, menos ali. Por outro lado, é uma coisa a qual consigo conviver. Para a decepção, eu daria 7,5. Quando a minha mãe, meu pai, ou outra pessoa que amo e admiro me olha de um jeito diferente. Como se quisesse dizer 'Estou muito decepcionado com você' 'Eu esperava mais'. Mas também é algo com que consigo sobreviver. Sempre estou decepcionado alguém, sempre. Agora, para o medo, eu daria 9. Eu odeio sentir medo. Medo de falar, medo de sentir, medo de arriscar, medo de errar, medo de viver. É deprimente, é sufocante. Simplesmente terrível. Chegar em casa, meio perturbada, por não ter realizado algo muito desejado por medo. Medo de tentar.

É foi isso que eu senti, parada, com tantas pessoas me olhando. O bom seria, se só tivesse sentindo isso naquele dia, mas ultimamente venho sentido bastante. Sentido medo. Mas não aumento minha nota para 10 por isso. Vivo dizendo que não gosto de pessoas que reclamam da própria vida. Mas eu mesma reclamo. Não dar a nota 10 para minha dor, é um jeito de me sentir menos culpada.

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